O impacto da deficiência auditiva de uma criança sobre a família costuma ser subestimado. Muitas vezes, fingir que está tudo bem enquanto se sofre em silêncio não é a melhor saída para lidar com a situação.

A superação só chega por meio de informação e do contato com médicos, entidades e outros profissionais especializados na área da audição. Entretanto, até chegar ao tratamento e à aceitação, a família passa por algumas fases.

Para você entender melhor como ocorre esse processo, listamos abaixo as principais etapas do impacto da deficiência auditiva.

Fase 1: Expectativa

A notícia de uma gravidez chega à família trazendo muitas alegrias, mas também ansiedade e algumas dúvidas. É comum que as gestantes fiquem inquietas até fazer a ultrassom morfológica, um exame capaz de detectar anomalias cromossômicas.

O resultado normal tranquiliza; entretanto, existem problemas que não podem ser diagnosticados através desse exame (alguns não aparecem em nenhum exame feito durante a gravidez).

Com isso, a expectativa de ter a certeza de que está tudo bem com a criança aumenta à medida que se aproxima o momento do nascimento.

Fase 2: Descoberta

A criança nasce e a família é só alegria. Entretanto, após o resultado alterado na triagem auditiva ou, quando passados alguns meses, os pais notam que o pequeno demora a responder a estímulos sonoros e sequer balbucia alguma palavra, a família procura o médico. 

Preocupados, o levam a um pediatra, que, após um encaminhamento ao médico otorrinolaringologista e alguns exames, constata que trata-se de perda auditiva. A notícia “cai como uma bomba” e chegam a pensar até que o resultado do exame está errado. Uma vez confirmada a condição, passam a questionar a vida, o mundo, o motivo de isso estar acontecendo a eles.

Fase 3: Aceitação

Uma vez digerida a notícia, a família começa a pesquisar e buscar informações sobre o tema. Dúvidas sobre o quanto a vida da criança poderá ser “normal” e se é possível reverter o quadro começam a ser esclarecidas.

Com todo esse empoderamento que chega através da informação, todos finalmente aceitam. O filho foi tão desejado, por que não aceitá-lo como ele é? Se essa condição foi imposta pela vida, provavelmente, existe um propósito. Por que, então, não encará-la com coragem e determinação?

Fase 4: Tratamento

Nessa fase, ainda será necessário vencer algumas barreiras e preconceitos. Quando a família aprende a encarar com naturalidade o uso de um aparelho auditivo ou implante coclear, tudo fica mais fácil.

Para vencer a resistência da criança a esse tratamento, é necessário que os pais vençam seus próprios medos e passem a ver a situação de maneira mais positiva. A construção de vínculos de confiança com a equipe médica também é fundamental: somente eles poderão indicar qual é o tratamento adequado.

Fase 5: Inclusão

Vencidas as etapas anteriores, a família desvia o foco da perda auditiva da criança e o coloca em outro fator: a felicidade do pequeno. 

Nessa hora, já não importa mais se a criança terá que usar aparelho auditivo, se comunicar por Libras ou ser submetida a uma cirurgia de implante coclear. O único desejo é de que ela possa ser feliz, independentemente do problema de audição.

Como você viu, existem várias etapas no descobrimento da deficiência que interferem na dinâmica familiar. É claro que, quando se trata do fator humano, não existe padrão de pensamento nem unanimidade, mas há sentimentos dos quais todos nós compartilhamos diante de determinadas situações. 

Você concorda que o impacto da deficiência auditiva na família realmente abala a estrutura de todos? Restou alguma dúvida sobre o assunto? Conte pra gente aqui nos comentários!