Você sabia que os principais tipos de surdez podem ser diferenciados pelo local da lesão no sistema auditivo? Ao contrário do que pode parecer em um primeiro momento, nem toda perda auditiva se dá pela mesma causa. Além disso, os níveis da lesão também podem variar.

Quando ocorre desde o nascimento, a condição é chamada de surdez congênita. As causas para isso podem ser doenças durante a gravidez — como rubéola ou toxoplasmose —, algum problema durante o parto ou até mesmo herança genética. Normalmente, a surdez congênita também leva a problemas no desenvolvimento da fala.

A surdez que ocorre em outras fases da vida é chamada de surdez adquirida, e pode ser causada, por exemplo, por otite aguda ou exposição contínua a um ruído muito alto. Nesse caso, é importante identificar qual parte do ouvido foi atingida: o ouvido tem uma parte externa, média e interna, e elas trabalham em conjunto para que a pessoa tenha uma boa audição.

Quer entender um pouco mais sobre os principais tipos de surdez? Continue a leitura e tire suas dúvidas sobre o assunto!

1. Surdez por condução

A surdez por condução acontece quando o problema ocorre no ouvido externo e/ou médio, que tem como função conduzir o som até o ouvido interno. Nesse caso, o som nem chega ao ouvido interno. Esse é o tipo mais comum de deficiência auditiva, que pode ser temporária ou permanente.

As doenças infecciosas ou o acúmulo de cera são as principais causas da surdez por condução temporária. Entretanto, quando há um bom diagnóstico do problema e um tratamento adequado, o paciente tem grandes chances de recuperar a audição por completo, uma vez que a causa seja cessada.

Mas nem sempre essa condição é reversível: a principal causa de surdez permanente por condução é a perfuração do tímpano, que produz danos irreversíveis na audição, já que não há meios de restaurá-lo.

2. Surdez neurossensorial

Nosso ouvido é formado por diversas células nervosas. Elas são responsáveis por transmitir as mensagens sonoras que chegam ao ouvido interno para o cérebro. A surdez neurossensorial ocorre quando há uma lesão no ouvido interno, impedindo que essas células levem o estímulo do som do ouvido interno até o cérebro.

Nesse tipo de perda auditiva, o paciente apresenta dificuldade de processar a informação sonora. O que acontece é que os sons vibram dentro da primeira parte do ouvido e, quando chegam à cóclea, os estímulos não são transmitidos ao cérebro. Essa surdez costuma ser a mais difícil de ser tratada, pois envolve perda permanente de células neuronais. 

Essas perdas são um processo considerado relativamente natural com o avanço da idade do paciente. É por isso que pessoas idosas tendem a sentir mais dificuldades auditivas que os jovens. Entretanto, há pessoas que acabam perdendo mais células que o esperado ainda na juventude.

Isso normalmente acontece com indivíduos que se expõem a sons e ruídos continuamente e por períodos prolongados, daí a importância de usar protetores auditivos no trabalho quando o ambiente é demasiadamente ruidoso. Ademais, é interessante evitar rádio e televisão em volume muito forte.

Também algumas doenças, como a caxumba, a meningite e a doença de mèniére, entre outras, podem afetar essas células, bem como o uso de determinados medicamentos ou mesmo fatores de origem genética. 

Uma vez perdidas, essas células não podem mais ser recuperadas e é por isso que a surdez neurossensorial pode ser considerada irreversível. Nessa situação, o paciente pode se beneficiar da utilização de aparelhos auditivos ou implantes cocleares que restauram a função auditiva, atingindo quase a normalidade.

3. Surdez mista

A surdez mista é a combinação de duas lesões, como se as duas condições que citamos ocorressem simultaneamente. Ela acontece quando há uma lesão tanto no ouvido externo e/ou médio como no ouvido interno.

As principais causas desse tipo de problema são medicamentos, infecções no ouvido, perfurações do tímpano e muitas outras, basicamente as mesmas relacionadas à perda neurossensorial e por condução. É por isso que, muitas vezes, pode ser um pouco mais difícil de identificar a raiz do problema.

Entretanto, após a identificação correta da lesão, algumas opções de tratamento são a utilização de medicamentos, as intervenções cirúrgicas e o uso de aparelho auditivo. Somente um profissional especializado poderá prescrever a conduta indicada para cada caso.

4. Surdez central

Nossa audição é muito mais complexa do que imaginamos. A cada vez que ouvimos um som, como uma música, o apito do trem ou a voz de um amigo, todo um processo interno ocorre em nosso organismo. Nas pessoas que têm audição considerada normal, isso é praticamente automático.

A surdez central é causado por variações na compreensão da informação sonora. Por envolver todo o processamento, interpretação dos sons e a capacidade mental do paciente, esse é o caso mais complexo de perda auditiva, já que pode ser que a causa do problema não esteja propriamente no ouvido ou em uma de suas estruturas.

As dificuldades se associam, além do déficit auditivo, a outras habilidades intelectuais que permitem saber diferenciar os tipos de sons e o que eles representam no cotidiano das pessoas. Devido à amplitude do problema, as causas podem ser as mais variadas possíveis e o tratamento a ser aplicado, mais uma vez, varia de acordo com a raiz da perda de audição. Daí a necessidade de um diagnóstico correto e preciso.  

Além das diferenças entre essas lesões, os graus de surdez também podem variar. Isso porque existe uma distância entre “não ouvir nada” e ter dificuldades para identificar sons mais baixos. De acordo com o grau, a surdez pode se classificar em:

  • leve: a pessoa sente dificuldades para identificar algumas vogais e consoantes e, muitas vezes, não consegue ouvir o tique-taque do relógio;
  • moderada: a fala em tom normal já não pode ser identificada. O paciente ouve apenas alguns ruídos mais altos, como o choro de uma criança ou o liquidificador ligado;
  • severa: nesse caso, o paciente já não ouve mais a fala humana. Muitas vezes, ele nem sequer consegue captar o toque do telefone, ainda que o aparelho esteja em volume máximo;
  • profunda: ocorre quando o paciente vive praticamente em profundo silêncio. Algumas vezes, sons muito altos, como um helicóptero funcionando, podem ser identificados. Quando congênita, essa condição pode comprometer seriamente o desenvolvimento da fala da criança.

Como você viu, compreender os tipos de surdez e os graus que ela pode atingir é importante para garantir o tratamento certo para cada paciente. Por isso, caso você ou algum familiar esteja passando por alguma dificuldade auditiva, o melhor a fazer é procurar um otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo para identificar o tipo de surdez e encaminhá-lo para o tratamento adequado.

Entendeu por que há diferenças entre os tipos e graus de surdez? Então agora é com você: se deseja entender melhor as questões relacionadas à audição e suas perdas, não deixe de nos seguir nas redes sociais. Estamos no FacebookLinkedInTwitterPinterestYouTubeInstagramThe listening room e Hearing Journey.